Imagino que todos que desejam iniciar o aprendizado na ourivesaria queiram ver tutoriais com fotos e vídeos, mas não há como aprender sem um pouco de teoria. Por experiência própria, posso dizer o quanto isso faz falta. Não dá para trabalhar o tempo todo apenas com improviso e boa vontade, embora esses dois sejam importantes aliados do conhecimento didático.
O primeiro passo é conhecer o metal que o ourives usa em seu trabalho autoral, sejam a prata e o ouro, os mais comuns, ou até outros metais como cobre, bronze, latão, alumínio, titânio etc., assim como madeira, osso, pedras, sementes, entre outros.
Vamos falar sobre os mais comuns: a prata e o ouro.
A prata(nome químico Ag)-
Largamente usada no início do aprendizado por ser um metal nobre e de valor mais acessível, possui ótima maleabilidade e ductilidade, ou seja, aceita ser moldada, serrada, furada e deformada sem rachar.
A prata é mais maleável (mais “mole”) que o ouro e também mais leve. Uma grama de prata tem muito mais volume do que uma grama de ouro.
A prata sofre oxidação com facilidade. Em contato com produtos como água sanitária, tinturas de cabelo, suor de pessoas que tomam alguns medicamentos, piscina, entre outros casos, ela acaba ficando manchada.
Em seu estado natural, a prata é extremamente maleável (mole) e precisa ser ligada com cobre para ganhar resistência e ficar mais dura. A porcentagem mais comum é 5% de cobre, formando a liga no teor 950, que é a mais usada comercialmente. Existem outras ligas para a prata, as chamadas pré-ligas, mas eu nunca utilizei, então não posso falar sobre elas.
O Ouro(nome químico Au)-
Sem me prolongar muito para não ficar chato, o ouro é muito mole em seu estado natural e precisa receber liga para ganhar resistência. Embora em outros países existam várias ligas ou quilatagens, aqui no Brasil usamos o ouro 18k ou 750 — que são a mesma coisa, apenas muda o nome. É como se um fosse o Chico e o outro o Francisco.
O ouro puro é chamado de ouro “mil” ou ouro 24k. Na prática, o ouro mil é 0,999, e recebe 25% de liga para se transformar em 750. Ou seja, o ouro 750 tem 750 partes de ouro puro e 250 partes de outros metais (a liga).
O ouro 18 quilates é a mesma coisa: o ouro puro é 24k, portanto o 18k tem 18 partes de ouro puro e 6 partes de outros metais. Existe uma grande variedade de ligas, como ouro 14 quilates, ouro 720, ouro 16 quilates, entre outras, mas não vamos entrar nisso agora, pois a internet está cheia dessas explicações.
A prata é branca e só possui essa cor, salvo quando oxidada propositalmente para ficar preta, usando produtos como fígado de enxofre, entre outros oxidantes químicos.
O ouro, conforme a liga, pode ser amarelo, rosado ou rosê, vermelho e branco.
A liga mais comum para o ouro é feita com prata pura e cobre puro, além do paládio para o ouro branco.
O ouro amarelo mais usado é ligado com 12,5% de cobre e 12,5% de prata. Assim, se ligarmos 10 gramas de ouro puro, teremos 12,5 gramas de ouro 18k ou 750, devido ao acréscimo de 25% de liga.
No ouro rosê, aumenta-se a quantidade de cobre e diminui-se a de prata, sempre respeitando os 25% de liga.
O ouro vermelho é ligado apenas com cobre, ficando com uma cor bem semelhante à do próprio cobre. É muito bonito e o mais resistente e duro entre as ligas, porém fica mais quebradiço na hora de moldar e precisa ser recozido (esquentado) várias vezes.
O ouro branco é ligado com cerca de 25% de paládio ou, em alguns casos, com um acréscimo maior de prata para deixá-lo mais macio. Apesar do nome “ouro branco”, ele fica com uma cor levemente puxada para o cinza. É comum receber banho de ródio para ficar mais prateado (um absurdo, na minha opinião), mas não vou entrar em detalhes sobre essa liga neste momento.
Se algo estiver confuso, me questionem. Não gosto de copiar nada da internet, e essas são minhas palavras e impressões baseadas no que aprendi ao longo do tempo.