A aliança é uma das joias mais fáceis de fabricar dentro da joalheria. Por isso, o aluno iniciante geralmente começa o aprendizado por ela, pois permite entender várias etapas básicas do processo.
Esta postagem não tem a intenção de ensinar todo o passo a passo da confecção da aliança, mas sim mostrar alguns macetes importantes que ajudam a evitar erros comuns.
O processo começa, como em qualquer trabalho de fundição, com a fusão do ouro. Neste exemplo, são utilizados 14 gramas de ouro para que, ao final do trabalho, a aliança fique com aproximadamente 11 gramas.
Em seguida, joga-se um pouco de bórax sobre o metal. O bórax funciona como um fluxo, ajudando a proteger o ouro da oxidação durante o aquecimento e facilitando a fusão do metal.
Apesar de o fogo aparecer vermelho na foto (efeito da imagem), na prática a chama correta é azul, indicando uma combustão adequada para a fundição.
Depois de fundido, o metal líquido é despejado na lingoteira, que deve estar devidamente untada com cera de abelha para evitar que o metal grude e para facilitar a retirada do lingote.
Após isso, aquece-se o lingote e em seguida joga-se no ácido, com o objetivo de retirar os resíduos de bórax. Depois de alguns minutos o lingote estará limpo.
Depois, mergulha-se em água com bicarbonato de sódio para eliminar qualquer resíduo de ácido. Esses resíduos, sejam de bórax ou de ácido, se forem levados para a laminação, vão desgastar o laminador e prejudicar o aço dos cilindros.
Feita essa limpeza, o próximo passo é recozer o lingote e, em seguida, laminá-lo na canaleta quadrada até atingir aproximadamente 5 cm.
Você pode se perguntar: já que o metal será recozido, o fogo não eliminaria o ácido? A resposta é sim, porém, nesse caso, você acabaria respirando os gases do ácido que evaporam com o aquecimento. Por isso, o correto e mais seguro é neutralizar o ácido do metal antes de recozer.
Após recozer, deixa-se o lingote esfriar sobre o tás de aço. Eu costumo usar a válvula ( de motor de carro) para ajudar no resfriamento e agilizar o processo.
Esse par de alianças vai ficar nos números 24 e 20 e o correto seria puxar até 124 mm (24 = 6,4 cm e 20 = 6,0 cm; então 6,4 + 6,0 = 12,4 cm, ou seja, 124 mm). Isso valeria se fosse uma meia-cana normal.
Como, neste caso, a aliança é anatômica, precisamos puxar de um a três números a mais, dependendo da largura e da altura da aliança que será feita.
O fio fica com quase 130 mm, pois ainda será necessário cortar as pontas defeituosas. Por isso, é importante trabalhar sempre com cerca de 10% a 15% a mais no peso do material.
Neste caso, vou aumentar apenas um número para cada aliança, portanto o comprimento final será de 126 mm.
Usando a parte traseira do paquímetro, vamos medir e cortar o trecho da aliança que será número 24. Porém, por se tratar de uma aliança anatômica, corta-se um número maior para facilitar o ajuste posterior.
Sendo assim, o corte será feito com 65 mm.
Esses 65 mm são usados porque a aliança é anatômica. Esse tipo de aliança consome um pouco mais de material no ajuste e no fechamento, e cortar um comprimento maior dá margem para corrigir o tamanho depois, sem risco de a aliança ficar pequena.
Pulo do gato: eu uso o cortador de charneira para deixar o corte bem alinhado, o que facilita o fechamento e garante um encaixe melhor na hora da soldagem.
Depois de cortar o fio em 65 mm, a parte que sobra fica exatamente com 61 mm.
Observação: essa tabela é uma referência prática para cálculo rápido. Em alianças anatômicas, sempre deixe uma pequena margem a mais para facilitar o ajuste final.
Comprimento do fio (cm) | Comprimento (mm) | Número da aneleira
------------------------|------------------|-------------------
5,0 cm | 50 mm | 10
5,1 cm | 51 mm | 11
5,2 cm | 52 mm | 12
5,3 cm | 53 mm | 13
5,4 cm | 54 mm | 14
5,5 cm | 55 mm | 15
5,6 cm | 56 mm | 16
5,7 cm | 57 mm | 17
5,8 cm | 58 mm | 18
5,9 cm | 59 mm | 19
6,0 cm | 60 mm | 20
6,1 cm | 61 mm | 21
6,2 cm | 62 mm | 22
6,3 cm | 63 mm | 23
6,4 cm | 64 mm | 24
6,5 cm | 65 mm | 25
6,6 cm | 66 mm | 26
6,7 cm | 67 mm | 27
6,8 cm | 68 mm | 28
6,9 cm | 69 mm | 29
7,0 cm | 70 mm | 30
7,1 cm | 71 mm | 31
7,2 cm | 72 mm | 32
7,3 cm | 73 mm | 33
7,4 cm | 74 mm | 34
7,5 cm | 75 mm | 35
7,6 cm | 76 mm | 36
Voltemos ao tutorial:
Agora vamos colocar a timbragem 750 na parte interna da aliança, identificando o teor do ouro e garantindo a conformidade da peça.
Protegendo a superfície da aliança com um pedaço de lixa ou couro, evitamos marcas e danos durante a timbragem.
Coloco também a minha marca pessoal, identificando o autor da peça e garantindo a procedência do trabalho.
Com a ajuda da calandra ou de um alicate, vamos “virar” o fio, dando início à formação do aro da aliança.
Desculpem o excesso de claridade pois o flash foi acionado sem necessidade
Como a calandra já deixa os aros quase perfeitos, serão necessários apenas pequenos ajustes no alinhamento das pontas antes da soldagem.
Em seguida, acertamos a emenda com um alicate, tomando cuidado para não marcar demais nem amassar a aliança.
Pulo do gato: notem que a aliança abaixo ficou com um pequeno vão em uma das extremidades, pois a serra se desviou um pouco durante o corte.
Nesse caso, encaixamos uma lixa na emenda e puxamos de um lado para o outro, tomando cuidado para não deixar a lixa sair do encaixe.
De um lado para outro.
Em seguida, inverte-se o lado da lixa e repete-se o processo, garantindo que as duas extremidades fiquem bem alinhadas.
Para abrir a aliança, encaixe um alicate e abra levemente apenas o suficiente para inserir a lixa.
Com as pontas bem alinhadas, a aliança fica pronta para a soldagem.
Nesse ponto, aplica-se o fluxo de solda com um pincel na emenda. Em seguida, com a ajuda de um apoiador de solda, coloca-se um pequeno pedaço de solda sobre a emenda, aquecendo ao redor dela até que a solda escorra corretamente.
Observe se a solda escorreu corretamente, para evitar ter que refazer a soldagem.
Com a ajuda de um abrasivo e do motor de chicote, vamos desgastar a solda na parte interna da aliança, sempre com cuidado para não remover material em excesso.
Após isso, vamos acertar o número da aliança, lembrando que a aliança anatômica deve ser feita um número menor. Se for feita exatamente no número correto da aneleira, ela tende a ficar larga no dedo.
O fato de termos feito a aliança inicialmente com um número maior é justamente para não precisarmos aumentá-la demais depois. Na aliança anatômica, se ela for feita no número exato antes de “virá-la”, ela vai diminuir quando formarmos a elipse ou ao “virar” a peça.
Essa redução de medida é uma característica própria do modelo anatômico.
Outra questão importante é que, ao fazer a aliança um número menor, no momento de acertar o número o aro acaba ficando com a elipse perfeita, garantindo melhor ajuste e conforto no dedo. Isso serve para o modelo anatômico e para os demais.
Essa aliança foi fechada apenas meio número menor por se tratar de um caso particular; normalmente, o padrão é fechar um número menor.
Pulo do gato: com um punção de bola, bate-se levemente com o martelo nas duas laterais da aliança. Isso é importante porque esse modelo, mesmo estando perfeito na parte interna, pode ficar com as laterais ovaladas ou deformadas — um defeito que não é possível corrigir apenas com o uso do tribulé.
Pulo do gato: para limpar o timbre, passo um pouco de fluxo de solda, aqueço levemente e em seguida jogo no branqueador. Isso ajuda a remover sujeira e oxidação, deixando a marca bem definida.
Depois de branqueadas, vem a etapa de desbaste com a lixa. Eu começo usando a lixa 240 e, em seguida, passo para a lixa 360, 400 e 600 refinando a superfície.
Na parte externa, limo o excesso de solda, sempre com muito cuidado para não afetar o desenho e o perfil da aliança.
Eu lixo à mão livre, sem usar tacos ou suporte de lixa, pois considero que assim o acabamento fica melhor.
Observe a diferença entre uma aliança sem o acabamento com a lixa (esquerda) e outra já pronta para o polimento (direita).
Depois vem o polimento e a gravação, mas isso já é outra história. Durante todo o processo, o par de alianças vai sendo pesado para controlar o material e chegar ao peso final de 11 gramas desejado pelo cliente.
Como sempre uma ótima aula.
ResponderExcluirValeu amigo,abç!!!!
ExcluirMuito didático, meu amigo.
ResponderExcluirBem explicado.
Obrigado!!
Obrigado João!
ResponderExcluirmuito bom
ResponderExcluirgostei, ajudou em muito.
ResponderExcluiro bom era filmar
O Gelson Silva tem bastante material filmado no youtube,o meu problema é tempo pra filmar e editar pois trabalho em dois atelies e também o problema com a plataforma blogger que hospeda esse blog que só aceita videos curtinhos e mesmo assim demora horas pra carregar,além de piorar a qualidade de videos.
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