Esse modelo de corrente fica muito bonito e não apresenta grande dificuldade no feitio, mas complica um pouco na hora de torcê-la para conseguir o tensionamento correto, evitando que ela enrole. Nesse caso, só a prática e o tempo ensinam, pois não há outra forma de fazer.
Tudo começa como tudo na ourivesaria: fundindo o metal. Neste caso, utilizei 100 gramas inicialmente, para deixar uma margem para desgaste e perda do feitio, até chegar ao peso que o cliente desejava.
Sei que existe uma fórmula matemática para calcular as medidas de fio e bitola, mas, como faço tudo do meu jeito, sigo minha própria técnica.
Como o cliente escolheu um modelo já existente — no caso, uma pulseira chapeada —, fiz a bitola baseada no elo da peça original. Para isso, uso pregos de construção, mas atenção: não passe um prego comum no seu laminador, ele será destruído. Use fio de cobre. Eu tenho um laminador mais simples apenas para esse tipo de teste, então posso trabalhar sem problemas, mas também possuo um laminador profissional da Coelho, que utilizo para serviços com ouro e prata.
A bitola pode ser de qualquer metal, desde que tenha o diâmetro do elo desejado e resistência suficiente para não deformar na hora de bitolar os elos.
Vale lembrar que o elo grumet deve ser feito um pouco maior que o modelo, pois, ao formá-lo e torcê-lo, ele tende a diminuir ligeiramente.

Voltando ao método que utilizo para o cálculo: após a escolha da bitola, preparo um fio de prata com aproximadamente o comprimento final desejado para a corrente de ouro. Esse valor inicial é estimado com base na experiência prática e em amostragens anteriores, permitindo prever a espessura final da corrente após a conformação dos elos.
Com o fio pronto, confecciono alguns elos-teste para determinar a quantidade de fio necessária em função do número de elos por comprimento. Por exemplo, produzo 5 cm de corrente e faço a contagem dos elos. No caso desta corrente, obtive 7 elos a cada 5 cm. Assim, para uma corrente de 50 cm, a estimativa é de aproximadamente 70 elos.
Em seguida, seleciono um desses elos, abro-o e o deixo completamente reto para realizar a medição do comprimento do fio correspondente. Neste caso, cada elo apresentou 2,3 cm de fio. Multiplicando-se 70 elos por 2,3 cm, chega-se a um total aproximado de 1,61 metro de fio necessário para a confecção da corrente.

Após essa etapa, inicia-se a trefilação do ouro. Como já sei que o comprimento final necessário é de aproximadamente 1,61 metro, começo laminando o ouro até cerca de 1 metro de comprimento. Dessa forma, ao prosseguir com a trefilação e o consequente alongamento do material até atingir os 1,61 metros, o fio já estará completamente redondo, com a bitola estabilizada e adequada para a confecção dos elos da corrente.
Após a laminação no perfil quadrado, prepara-se o fio para a trefilação afinando-se a ponta com uma lima em aproximadamente 3 cm, de modo a permitir sua passagem inicial pela fieira. Em seguida, o fio é recozido para aliviar as tensões internas do metal e restaurar sua ductilidade. Ainda quente, procede-se à aplicação de cera de abelha, que atua como lubrificante natural durante a trefilação, reduzindo o atrito, o esforço mecânico e o risco de fissuras no material.
Em seguida, procede-se à trefilação do ouro até atingir a bitola desejada, realizando recozimentos intermediários sempre que necessário e reaplicando a cera de abelha ao longo do processo. Essas etapas sucessivas garantem a manutenção da ductilidade do metal, a uniformidade do diâmetro do fio e a prevenção de trincas ou encruamento excessivo durante a trefilação.
Enrola-se fita adesiva (durex) sobre a bitola de forma uniforme, aplicando pelo menos cinco camadas, de modo a criar uma superfície contínua e regular. Esse procedimento auxilia no controle do diâmetro interno dos elos, garantindo maior padronização durante o enrolamento do fio e a formação da corrente. Alguns usam papel no lugar da fita adesiva, mas essa aplicação deve ser uniforme.
Após atingir a bitola desejada, prende-se uma das extremidades do fio na morsa, garantindo firmeza e alinhamento adequados para a etapa seguinte do processo.
A outra extremidade do fio é fixada à bitola, que deve estar firmemente presa em um morcete ou em um alicate de pressão, assegurando estabilidade durante o enrolamento do fio e a formação regular dos elos.

Em seguida, procede-se ao enrolamento do fio, mantendo-o sempre bem esticado durante toda a operação, de modo a evitar variações de passo e garantir que os elos não fiquem irregulares ou desalinhados.
Após essa etapa, procede-se à queima da fita adesiva (durex) com o auxílio do maçarico, removendo completamente o material e liberando os elos para as etapas seguintes do processo.
Com isso, a bitola é removida facilmente, sem deformar os elos já conformados.
Após essa etapa, os elos são serrados dessa forma, mantendo-se uma única linha de corte contínua até o final, o que garante uniformidade no fechamento e melhor alinhamento da corrente.
Com muito cuidado para não marcar ou deformar os elos com o alicate, procede-se ao encaixe de cada um deles, preparando a corrente para a etapa de soldagem.
Cortando-se a solda em pequenos pedaços, o trabalho torna-se mais ágil e preciso durante a etapa de soldagem.
Se você está confeccionando uma corrente, isso significa que já não é um iniciante leigo, pois o processo de soldagem é um conhecimento prévio e indispensável. Por esse motivo, não entrarei na descrição detalhada de como soldar. Caso fosse fazê-lo, o formato adequado seria por meio de vídeo, e não apenas em texto.
Após a soldagem, fixa-se um arame em cada extremidade da corrente, permitindo melhor manuseio e controle nas etapas subsequentes do processo.
Amarra-se uma das pontas do arame a um ponto fixo da bancada ou na morsa de bancada.
A outra ponta é amarrada a um elástico. Este é o método que utilizo, embora cada profissional tenha o seu próprio modo de trabalho. O elástico tem a função de manter a corrente tensionada e, ao mesmo tempo, permitir a torção no sentido horário, facilitando um tensionamento mais uniforme da corrente. Trata-se de um método pessoal, mas também é possível solicitar o auxílio de outra pessoa para esticar e torcer a corrente, facilitando o processo.
Prende-se firmemente na junção dos elos com o primeiro alicate, sendo ambos os alicates lisos, sem garras, para evitar marcas ou danos ao metal.
Em seguida, com o segundo alicate, “pega-se” a junção do elo seguinte.
Para realizar a torção no sentido horário, movimenta-se apenas o segundo alicate, mantendo-se o primeiro imóvel.
O resultado deve ficar dessa forma. No entanto, é importante ressaltar que o ajuste do caimento da corrente é feito, em grande parte, com base em tentativa e erro. Trata-se de um processo que exige sensibilidade prática e experiência de oficina — no meu caso, levou anos até alcançar o resultado desejado.
Um pedaço de sarrafo (aproximadamente 50 cm), com pregos, pode ser utilizado como base para a operação de limagem e lixamento da corrente. Alguns profissionais utilizam goma-laca para a fixação, o que também apresenta excelentes resultados.
A corrente deve ser presa dessa forma, mantendo-se extremamente bem esticada.
A limagem deve ser firme, sem que os elos se movimentem, pois qualquer deslocamento pode causar defeitos no facetado. Por esse motivo, a corrente precisa estar muito bem amarrada aos pregos. O lixamento é realizado da mesma forma, iniciando-se com lixa grão 280 e seguindo a sequência 320 e 600.






Os passos seguintes consistem em deixar a corrente no branqueador e, posteriormente, realizar uma revisão cuidadosa das soldas, a fim de verificar a existência de possíveis defeitos. Em seguida, colocam-se as argolas para o fecho ou, conforme o caso, fabrica-se um fecho tipo gaveta.
Por fim, realiza-se o polimento, etapa que exige extremo cuidado. Utiliza-se um pedaço de tábua com aproximadamente 10 cm para manter a corrente esticada durante o polimento, de forma semelhante à mostrada na foto anterior, porém com um pedaço de madeira menor. Nesse caso, em vez de amarrar a corrente, ela é segurada por baixo da tábua.
O polimento de correntes é uma operação particularmente perigosa, pois, caso a corrente se prenda à escova da politriz, pode chicotear violentamente as mãos, causando sérios ferimentos. O método da tábua de proteção será explicado com mais detalhes posteriormente.
Muito boa explicação!
ResponderExcluirValeu meu caro amigo!
ResponderExcluirMuito boa mesmo!! Gostei muito!! Obrigado e parabéns!!
ResponderExcluirValeu João!grande abraço meu amigo!
ExcluirMuito legal. Minha esposa já está querendo que eu faça uma pra ela.
ResponderExcluirFernando,essa é bem simples de fazer,dá um trabalhinho na hora do caimento mas tem um vídeo do amigo Gelson Silva que explica bem como tirar a tensão da corrente,recomendo os vídeos dele também que são bastante didáticos.
Excluirhttps://www.youtube.com/watch?v=k_SaRbK599E
Mas faça a corrente pra esposa e qualquer dúvida é só perguntar ok!
ExcluirObrigado Angelo, eu já sou inscrito no canal do Gelson no Youtube é muito bem detalhado. Estou me aventurando vou tentar primeiro com a prata pra treinar.
ResponderExcluirSempre com a prata no inicio
ExcluirMuito bom Angelo! Mais uma lição para colocar em prática.
ResponderExcluirMuito bom, obrigada!
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